O brasileiro hoje morre de maneira diferente do que h 30 anos - e precisa agora tentar modificar o padro atual da morte no pas para no ter que pagar um preo alto demais ao sistema de sade, tanto pblico como privado, nas prximas dcadas.
Passou a fase em que o grosso das mortes no pas ocorria devido s chamadas doenas da pobreza, como infeces que causam diarria em crianas.
A tendncia que se estabeleceu mostra que problemas como os infartos e cncer, erroneamente considerados "doenas de Primeiro Mundo", so responsveis por um nmero cada vez maior de mortes.
Infartos causam quase cinco vezes mais mortes em brasileiras da mesma idade do que e argentinas.
O principal responsvel pelo aumento nas mortes violentas so os homicdios, em que os contrastes sociais so causa bsica.
Os dados fazem parte do estudo "Mudanas no perfil de sade da populao brasileira", realizado por pesquisadores do Nupens/USP (Ncleo de Pesquisas Epidemiolgicas em Nutrio e Sade), ainda no publicada.
O mesmo vale para programas contra o tabagismo, contra o lcool e a obesidade, todos fatores de risco reconhecidos para diversas doenas.
Na verdade, os pobres so os que correm mais riscos de desenvolverem essas doenas - assim como as infecciosas.
Uma pesquisa realizada em Porto Alegre, divulgada pelo Banco Mundial, mostra que pessoas sem escolaridade (um indicador que sugere pobreza) tm cerca de cinco vezes mais chance de terem presso arterial elevada, o que predispe a infartos, do que pessoas com instruo superior.
Da mesma maneira, analfabetos so mais propensos a fumar, consumir lcool, viver de maneira sedentria e serem obesos.
